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[ direcção: PESSOA, Fernando & VAZ, Ruy ]

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Referência:14403
Autor:[ direcção: PESSOA, Fernando & VAZ, Ruy ]
Título:ATHENA . Revista de Arte. (Outubro de 1924 a Fevereiro de 1925)
Descrição:

In-4º de 5 números encadernando num volume. Conserva o raríssimo folheto informativo editorial da Athena. Encadernação meia inglesa em pele castanha com dizeres prateados ao estilo art deco sobre rótulo de pele preta na lombada, esta com decoração em baixo relevo dos nervos, também ao estilo art deco. Ligeiro e insignificante aparo. Sem as capas de brochura.
Com numerosas estampas impressas nas páginas de texto e em separado, reproduzindo algumas delas trabalhos de Almada Negreiros, Mily Possoz, Lino António, etc... Colecção completa, RARA e valiosa.

Observações:

Revista dirigida por Fernando Pessoa e Ruy Vaz, publicada em Lisboa, da qual só saíram cinco números, entre outubro de 1924 e fevereiro de 1925. Surgindo no seguimento da linha de orientação do Orpheu, constituiu um símbolo do Modernismo português, devendo-se o seu interesse literário maioritariamente aos textos de Pessoa. Em entrevista ao Diário de Lisboa, em novembro de 1924, Fernando Pessoa explicava que o objetivo da publicação era "Dar ao público português, tanto quanto possível, uma revista puramente de arte, isto é, nem de ocasião e início como o Orpheu, nem quase de pura decoração como a admirável Contemporânea." Tratava-se, assim, de uma alternativa no campo da revista literária, que não pretendia promover um projeto cultural, nem acionar um movimento, nem ser apreciada apenas pelo seu aspeto estético, mas sim ser um espaço de reflexão teórica, de balanço do itinerário percorrido desde Orpheu e de apresentação de novas vias para o modernismo. A par de alguns modernistas, como Almada, Mily Posoz, Lino António, Luiz de Montalvor, Raul Leal, Mário Saa ou Mário de Sá-Carneiro (a quem é consagrado o n.° 2), a colaboração literária foi em grande parte assegurada por Fernando Pessoa e pelos seus heterónimos: desde Ricardo Reis, cujo Livro I das Odes é publicado no n.° 1, a Álvaro de Campos, que nos números 2, 3 e 4 publica textos teóricos, com destaque para os "Apontamentos para uma estética não-aristotélica", à publicação, nos números 4 e 5, de poemas de Alberto Caeiro, até Fernando Pessoa ortónimo, com poemas, textos de reflexão estética e tradução. É nessa medida que Teresa Sousa de Almeida (prefácio à ed. fac-sim. de Athena, Lisboa, Contexto, 1983) vê na criação de Athena uma encenação do escritor que planeadamente estabelece uma relação intertextual entre textos teóricos e produções dos heterónimos. Deste modo, o editorial que abre o n.° 1, da autoria de Fernando Pessoa, explicando o título da publicação e o tipo de arte que preconiza, serve também de introdução à afirmação da modernidade do classicismo de Ricardo Reis: "[Os Gregos] Figuraram em a deusa Atena a união da arte e da ciência, em cujo efeito a arte (como também a ciência) tem origem como perfeição [...] é pois ao nível da abstração que a arte e a ciência, ambas se alçando, se conjugam, como dois caminhos no píncaro para que ambos tendam. É este o império de Athena, cuja ação é a harmonia."

Com colaboração de Almada, António Botto, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Fernando Pessoa, Luís de Montalvor, entre muitos outros, a Athena, segundo Fernando Pessoa, é heterogénea, ensinando a arte que é “essencialmente multiforme”. Segundo Teresa de Almeida, citada por Daniel Pires, “atrás de Athena está, não uma geração que se tinha desfeito, mas apenas o esforço voluntarista de Pessoa que, assinando sob diferentes nomes textos e posições teóricas divergentes, procurou fazer dela o espaço de uma utopia”.

Daniel Pires, Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa, 1996, p. 73-75

Preço:460,00€