Banner Vista de Livro
 Aplicar filtros
Livros do mês: Março 2025
Temas 
Palavras Chave 
Módulo background

RIBEIRA, João da

Foram localizados1 resultados para: RIBEIRA, João da

 

Referência:15485
Autor:RIBEIRA, João da
Título:PELOS POVOADOS DA SERRA (Aspectos portugueses)
Descrição:

Tip. e Papelaria Mesquita, Chaves, 1935. In-8.º (8)-188-(3) págs. Brochado, com ocasionais picos de acidez. Exemplar em muito bom estado de conservação.

De muito raro aparecimento no mercado, este MUITO CURIOSO livrinho de etnografia, memórias e costumes regionais transmontanos, acreditamos ter sido uma edição de autor.

Observações:

João da Ribeira é o pseudónimo literário do Pe. João Baptista Vaz de Amorim (1880-1962), foi antigo pároco de Bouçoães (ou Bouçoais), freguesia do concelho de Valpaços. Estudou no liceu de Guimarães, foi professor no Colégio de S. Joaquim, em Chaves, e, depois, entrou no Seminário de Braga. Ordenado sacerdote em 1901, foi colocado na freguesia de Paradela, Valpaços. Republicano de antes de 1910, não aceitou as perseguições ao clero e emigrou para o Brasil, onde foi exercer funções junto do bispo de S. Paulo. A pedido da mãe, regressou a Portugal e foi designado pároco de Lóios, onde permaneceu durante 23 anos, depois do que pediu para ser colocado na freguesia de
Bouçoais, onde se dedicou à investigação arqueológica e etnológica, tendo publicado artigos sobre o tema em diversos jornais e revistas, quase sempre assinados com o pseudónimo João da Ribeira. Em 1949, foi candidato pela lista organizada em Vila Real e que não foi aceite, sob o pretexto oficial de que não fora possível obter a sua certidão de eleitor, facto que ele mais tarde desmentiria. Publicou, também, com o nome de João da Ribeira, o livro Pelos Povoados da Serra: aspectos portugueses (Chaves, 1935), bem como um trabalho sobre arqueologia: Na Citânia de Briteiros: uma pedra enigmática? (Guimarães, 1952). Deixou preparado outro livro, que se intitularia Coisas da Minha Terra e que não chegou a ser publicado. (in CANDIDATOS DA OPOSIÇÃO À ASSEMBLEIA NACIONAL DO ESTADO NOVO (1945-1973) - UM DICIONÁRIO, 2009, p.102)

Índice dos capítulos:
I - O primo Anastacio. II - A caminho da Serra - O Templo Romanico. III - O Senhor Felizardo Ventura - A casa do Ladário. IV - Uma arraia há trinta anos - A Florinda do Adro. V - No presbiterio da Serra - O meu primeiro dia de escola. VI - O meu regresso a férias - A matança. VII - Os oficios fúnebres - As Domingas - O tio Simão. VIII - A Laurinda da Capela não fez excepção - Outro Casamento - O Farpelinhas. IX - Os serviçais da nossa casa. X - As Solenidades da Senhora da Fonte. XI - As ceifas - Fructos da terra são bençãos de Deus. XII - Os ciganos - A Feira dos Santos. XIII - A Festa do natal - A ceia e o serão da consoada - O meu lindo presépio.

Do capítulo XII deste livro (Os ciganos - a festa dos santos) , na página 159, lemos o seguinte trecho: " ... Por estas altas e agrestes paragens, depois de meados de novembro, no geral, póde-se considerar também chegado o rigor do inverno. Caem fortes aguaceiros, sopram furiosamente rijas ventanias e pelas cumiadas das serras começam a alvejar extensos lençóes de neve.
É então chegado o tempo triste do inverno! Com a safra das castanhas e as sementeiras dos centeios, acabam-se os afazeres agricolas e é depois disso que esta boa gente, já livre dos pesados labores, frequenta com mais assiduidade as feiras regionais, algumas délas sem dúvida de assás e reconhecida importancia. Mas, d'entre todos esses grandes mercados públicos, tem certamente logar primacial a afamada Feiras dos Santos, que se realisa anualmente em Chaves, no último dia de outubro e no primeiro de novembro - dia este em que a igreja também celebra a Festa de todos os seus bem-aventurados celestiais. Depois de 15 de outubro, começam a aparecer os ciganos, cujas caravanas, vindas da Terra Quente ou lá dos confins do distrito de Bragança, invadiam todas estas aldeias e povoados. Era uma multidão de maltrapilhos, uma promiscuidade indecente de homens, mulheres, cães enormes, jumentos cobertos de chagas asquerosas e cavalos lazarentos e estropiados. As mulheres, criaturas repelentes que lustravam os cabelos profundamente negros com banha de porco, vestiam muitas saias de grandes rodas, umas sôbre as outras, e andavam esmolando de porta em porta, com voz lamurienta e importuna, transportando os filhos no imundo regaço, entalados entre os chales em cruz e os peitos fartos e tumidos. Tudo pediam no patamar das escadas, ásportas das casas: castanhas, batatas, pão, geropiga, gorduras para a sôrda, etc.
... "

Preço:45,00€