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Módulo background

CENTENÁRIO DO CONDE DE MONSARAZ 1852-1952

em Literatura Portuguesa

Referência:
13866

Autor:
PAPANÇA, Macedo (conde de Monsaraz)

Palavras chave:
Alentejo | Literatura portuguesa

Ano de Edição:
1952

10,00€


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Título:
CENTENÁRIO DO CONDE DE MONSARAZ 1852-1952
Descrição:

Edição da "Casa do Alentejo", Lisboa, 1952. In-8º de 76-(4) págs. Br. Capas de brochura com leves manchas de humidade.

INVULGAR.
 

Observações:

Livro editado pela casa do Alentejo e dedicado à figura do Conde de Monsaraz, no centenário do seu nascimento. que encerra os seguintes capítulos: «Curriculum Vitae» – Retratos e poesias de várias épocas – Poetas alentejanos ao poeta do Alentejo – Meu Pai.


SALADA PRIMITIVA

Leitor, se amas o campo e a natureza,
                Se és bucólico e rude,
                E na tua rudeza
Só respeitas a força e a saúde;
Se às convenções da sociedade opões
O desdém pelas normas e preceitos,
Que trazem pelo mundo contrafeitos
                Cérebros e corações;
Se detestas o luxo e se preferes,
Francamente, às senhoras as mulheres,
E tens, como um pagão da velha Esparta,
Pulso rijo, alma ingénua e pança farta;
Se és algo panteísta e tens bem vivo
                Esse afagado ideal
Do retrocesso ao homem primitivo,
Que nos tempos pré-históricos vivia
Muito perto do lobo e do chacal;
Se um ligeiro perfume de poesia
                Que se ergue das campinas
Na paz, no encanto das manhãs tranquilas,
                Te dilata as narinas
E enche de gozo as húmidas pupilas,
Leitor amigo, se assim és, vou dar-te
“Se a tanto me ajudar engenho e arte”
                Uma antiga receita,
Que os rústicos instintos te deleita
E frémitos te põe na grenha hirsuta.
                Leitor amigo, escuta:

Vai, como o padre-cura, cabisbaixo
Pelos vergéis da tua horta abaixo
Quando no mês de Abril, de manhã cedo,
O sol cai sobre as franças do arvoredo,
Para sorver aqueles bons orvalhos
Chorados pelos olhos das estrelas
Nos corações dos galhos;
Passarás pelas couves repolhudas
                - Cuidado não te iludas,
                Nem te importes com elas!
Vai andando...
                Mas logo que tu passes
                Ao campo das alfaces,
Pára, leitor amigo,
E faz o que te digo:
Escolhe dentre todas a mais bela,
Folhas finas, tenrinhas e viçosas
                Como as folhas das rosas,
                E enchendo uma gamela
                De água pura e corrente,
Lava-a, refresca-a cuidadosamente.
Logo em seguida (e é o principal)
Que a tua mão, sem hesitar, lhe deite
                Um fiozinho de azeite,
                Vinagre forte e sal,
E ouvindo em roda o lúbrico sussurro
Da vida ansiosa a propagar-se, que erra
                Em vibrações no ar,
Atira-te de bruços sobre a terra
                E come-a devagar,
Filosoficamente, como um burro!

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