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Banda Desenhada & Infanto-juvenil

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Referência:14518
Autor:[dir: LOPES, António Cardoso]
Título:O GAFANHOTO. O jornal infantil mais pequeno do mundo.
Descrição:

Edições "O Mosquito", Lisboa, 1948-1948. In-8º de 72 números numerados de 1 a 72; nº1 - 11 de Dezembro de 1948 a nº 72 - 8 de Outubro de 1949. Encadernação inteira de pele do diabo. Ligeiro aparo marginal. Apresenta ainda as duas separatas correspondentes ao Presépio (nº 3) e Jogo das Regatas (nº6). Alguns numeros com insignificantes cortes marginais (nº 16, 27, 35, 56, 57, 61, 62 e 67). Bom exemplar sendo a acidez generalizada típica exclusiva a pouquíssimos números. Todos os exemplares mantêm a cor típica original da impressão.

De RARO aparecimento no mercado (em especial com os ultrararos nº 73 e 74, que infelizmente o nosso exemplar não apresenta) dado ter sido o único periódico infantil proibido de circular e apreendido pela PIDE em Setembro/Outurbo de 1949.
 

Observações:

Num magnífico ensaio sobre a "vida breve" de O Gafanhoto apresentado por Ricardo Leite Pinto, autor do blog MALOMIL, às páginas tantas diz-nos:
"... Se o futuro de O Mosquito não foi auspicioso, já que acabaria os seus dias alguns anos depois,  em 1953 , já o destino dos projectos de Cardoso Lopes e do seu "parque gráfico", do mais avançado que à época existia, foi ainda mais penoso. E, contudo, da mente imaginativa e empreendedora de Cardoso Lopes soluções não faltaram: fechou um acordo com a Mocidade Portuguesa por forma a que as suas edições e designadamente a revista Camarada passassem a ser impressas nas agora "Edições O Mosquito" e avançou para O Gafanhoto. Anunciava ser " o jornal mais pequeno do mundo", com o formato de "O Mosquito dobrado ao meio, oito páginas  a três cores  e  custava 50 centavos. Publicou  "boas histórias de Cuto e algumas pranchas de Anita Pequenita (ambas de Jesus Blasco) uma história de Afonsky, algumas historietas inglesas e francesas e a excelente Cora (Connie) de Frank Godwin. Durante mais de nove meses a revistinha circulou pelo país imprimindo 10.000 exemplares por cada número. O nº 1 tem a data de  11 de Dezembro de 1948 .
(...)
José Ruy, que trabalhava na altura nas oficinas de O  Mosquito, como se disse, não esquece o que então se passou :

" A PIDE mandou apreender o Gafanhoto em todos os pontos de venda. Essas apreensões eram normalmente feitas em livros considerados de carácter subversivo  ou de ofensas à moral e as carrinhas negras eram conhecidas pois também faziam por vezes a recolha de pessoas da oposição política ao regime . Chamavam-lhe a " ramona".  E foi mesmo a "ramona" que de quiosque em quiosque de livraria a banca de jornais andou a recolher tudo o que fosse Gafanhoto de Tiotónio.  Na redacção e nas oficinas das Edições de O Mosquito  tivemos dias um polícia à porta  a revistar-nos quando saíamos  para ver se levávamos algum exemplar escondido. Nas livrarias e quiosques o espanto era enorme interrogando-se os vendedores  onde estava o tal o assunto do "contra" naquela revistinha de aspecto tão  inocente que motivara a apreensão" .

A palavra mais uma vez a José Ruy :

"O Gafanhoto era impresso em folha inteira da máquina que incluía dois números e quando da apreensão estavam já impresso os números 73 e 74. Como os assinantes  recebiam pelo correio e com antecedência, um privilégio que o Tiotónio gostava de oferecer aos seus leitores, estes receberam em casa exemplares que entretanto estavam a ser recolhidos pela censura. Eu ainda consegui passar com esses dois números escondidos  não me arriscando a trazer mais não fosse ficar a pão e água por tal crime".

São pois os famosos nºs 73 e 74 de O Gafanhoto que hoje constituem uma verdadeira relíquia bibliófila ! 

António Cardoso Lopes não desistiu do seu Gafanhoto. A 20 de Dezembro de 1949 vem amarguradamente queixar-se do aparato da apreensão: "(...) atitude que eu supunha apenas ser tomada para publicações de carácter clandestino ou aquelas cujo conteúdo merecesse a reprovação por parte desses serviços o que não é absolutamente o caso"  .

Preço:300,00€