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Módulo background

CONTOS MANDINGAS

em Ultramar & Brasiliana - LITERATURA

Referência:
8993

Autor:
BELCHIOR, Manuel

Palavras chave:
sem palavras chave

Ano de Edição:
sem ano de edição definido

24,00€


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Título:
CONTOS MANDINGAS
Descrição:
Portucalense Editora, Porto, 1971. IN-8º de 333 págs
Observações:
Manuel Belchior foi um prestigiado funcionário colonial, tem uma vastíssima bibliografia onde Moçambique e a Guiné ocupam lugar de relevo. Em 1971 editou os seus “Contos Mandingas” (Portucalense Editora), que mereciam, tal o valor histórico-cultural e a beleza narrativa neles contidos, uma justa reedição.

O investigador justifica o seu trabalho depois de ter permanecido largos meses, entre 1967 e 1968, na região de Bafatá e Gabu, trabalhando com fulas e mandingas num inquérito etnológico. Ao fazer o inventário do material recolhido, descobriu, muito agradado, que recolhera quase uma cinquentena de contos e fábulas. O conjunto de generalidades sobre o povo mandinga ainda hoje se lê com deslumbramento. Não querendo abstrair o número de mudanças operadas nos últimos 40 anos, continua a ter a maior utilidade o que Manuel Belchior escreve sobre a distribuição dos mandingas no território da Guiné-Bissau, as suas origens, o tipo de povoamento, a sua organização familiar, social e política, a religião, a visão do trabalho, as actividades económicas e os divertimentos.

Dito resumidamente, até aos anos 70 do século passado, os núcleos principais da população mandinga distribuíam-se pelas regiões do Gabu, por Gussará, Ganadu e Badora (Bafatá) e região do Oio (Farim e BIssorã). Os mandingas pertencem ao grande ramo dos negros sudaneses, aparecem historicamente relacionados com os povos mandés, com o império de Ghana e mais tarde o império Mali. Tornaram-se na etnia preponderante até ao século XIX, quando foram derrotados pelos Fulas. Em termos de organização social, a generalidade da população dedica-se à agricultura, mas já que ter em conta os artífices (como os ferreiros, os ourives, os tintureiros e os sapateiros) os cantores e músicos e os comerciantes.

Os contos e fábulas recolhidos são um repositório impressionante da amálgama e do sincretismo cultural dos mandingas: a influência do Corão e do animismo; a influência da literatura árabe e da narrativa oral africana; a exemplaridade de justiça muçulmana, o rigor a que se deve sujeitar o comportamento do soberano justo; o prémio da fidelidade do amor; a importância do Irã, a divindade protectora dos povos animistas; a história dos clãs; o castigo da inveja e da infidelidade, entre outras manifestações.<

O fabulário mandinga tem atraído muitos investigadores, nele se cruza um vasto património de narrativas morais que acabam por aparecer na generalidade das narrativas de toda as etnias. O estudo que Benjamim Pinto Bull fez às fábulas crioulas decorre deste complexo interétnico: envolve lobos que comem cabras, lebres ladinas que conversam com jagudis e crocodilos; serpentes que esperam a hora de vingança; lobos que conversam com hipopótamos, mas há também morcegos, leoas, macacos e personagens como os curandeiros.

Enfim, contos e lendas onde encontramos toda a trama da história, da língua, da educação, dos conceitos de direito e justiça deste povo. A problemática religiosa, insiste-se, tem bastante complexidade. Não só o mandinga islamizou povos pelo poder da espada como se mantém intransigente na recusa em abandonar as práticas de fundo animista (caso da circuncisão).

Quem puder, não se furte ao esplendor desta literatura que ajuda a dissipar o preconceito de que estes povos não possuem um elevado recorte literário.

(retirado do blog "http://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2010/07/guine-6374-p6811-notas-de-leitura-139.html")
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